Post-its talvez não tenham sido criados para lembrar o que você deve fazer e sim para desenhar algo aleatório enquanto você procrastina
“Disciplina é liberdade”, assim disse Renato Russo em uma de suas músicas. Mas, será? Esses dias me peguei pensando no quanto estou irresponsável e desorganizada com os afazeres da faculdade. Se esta é minha única função na sociedade, ser estudante, por que é tão difícil fazer as coisas direito? 

Que a disciplina e organização são fatores essenciais para se ter sucesso em qualquer coisa na vida, todo mundo sabe – ou ao menos é o que foi ensinado como o correto. Passado essa preocupação inicial, comecei a refletir que a falta de disciplina pode ser vista sim como algo que não deve ser tão levado à finco na vida cotidiana. Sabe por quê? Tomemos um exemplo: Procrastinação, aquele hábito de autossabotagem que é constituído por uma sensação de “culpa adiável”. Um procrastinador é sempre ansioso, mas quando está no momento em que usufrui da liberdade e adia um compromisso na medida mais adiável possível, está de certa forma prolongando aquela agitação que sentirá decorrente da culpa e obrigação. 

E nesses devaneios, cheguei à conclusão de que: procrastinadores e pessoas organizadas estão em condições iguais porque o fato de você ser organizado não o torna imune da agitação. Aliás, esta talvez singelamente lhe acompanhe na medida em que você tentar manter o controle para que as coisas saiam tudo no eixo. E imagina quando as coisas não saem como o planejado para alguém muito controlador? A agitação é ainda mais intensa, já que este teve ciência de suas ações e esforços para que tudo ocorresse bem, enquanto o procrastinador pode atribuir o fato de que o errado assim se fez por sua irresponsabilidade, e não incompetência. Um procrastinador nunca será incompetente. Alguém organizado está sujeito a ser considerado assim. 

E olha só, talvez deva até ser menos estressante ser um procrastinador, já que o sentimento de procrastinação te dá um momento de liberdade, que depois será convertida em culpa, mas mesmo assim, uma liberdade momentânea. E vem cá, momentos assim são importantes em uma vida tumultosa e cansativa. 

Não pretendo aqui incentivar irresponsabilidades. Apenas trago um pensamento de que ser muito organizado, e consequentemente, ter controle sobre as coisas talvez seja um erro, te esgote de certa forma e não seja algo tão saudável. Por isso, é natural e humano escolher ver o episódio daquela série enquanto você deveria estar desempenhando alguma atividade chata. E olha, você não precisa ficar se culpando por isso. Apenas aproveite o momento de procrastinação, a vida não deve ser um martírio e uma sucessão de obrigações sem um momento de pausa. E para mim, liberdade é exatamente isso: estar fazendo algo quando na verdade você deveria estar fazendo outro. Se chamam isso de procrastinação, eu chamo de liberdade.


Hoje eu escrevi esse texto enquanto deveria estar estudando, e você?
E para estrear o nosso queridíssimo projeto "Um filme de cada país", trouxe uma sugestão de drama mexicano que  me tirou um baita tempo para escolher, pois fiquei em dúvida entre Biutiful e La jaula de oro. Como o primeiro é um filme mais conhecido, decidi trazer o segundo. De qualquer forma, caso tenha oportunidade, sugiro assistir os dois.

A jaula de ouro (La jaula de oro, em espanhol) é um drama mexicano estreado em 2013. Assiti-o na Mostra de Direitos Humanos que ocorreu no Sesc - aliás, fica a dica, acontece em todas as capitais do Brasil todos os anos -, e sem dúvidas, foi um dos melhores filmes que assisti ano passado.

A história é de um grupo de imigrantes (crianças) que fogem de seus países em busca de oportunidade de trabalho nos EUA. Durante o trajeto, enfrentam diversas situações de miséria, preconceito e exploração. Sabe aquele tipo de filme que te dá um soco na barriga? Então.

La jaula de oro consegue trazer de uma forma realista e bruta a questão da desigualdade social numa perspectiva transitória. Ao mesmo tempo, transmite uma certa crítica em relação ao sistema capitalista, pautado principalmente pela desumanidade no qual são submetidos os imigrantes de fronteiras estadunidenses.


A fotografia é excepcional, a atuação dos personagens consegue convencer muito bem e o roteiro é indescritivelmente forte. Enfim, prefiro não dar mais detalhes da história porque senão daqui a pouco já estarei contando o final do filme. Prefiro assim, que se surpreendam. Sem dúvidas, vale a pena dedicar o tempo para prestigiar este filme mexicano, que aliás, recebeu o prêmio Ariel do México em diversas categorias. Infelizmente, trata-se de uma produção não muito conhecida no exterior. Quem curte Drama e Direitos Humanos sem dúvidas vai gostar muito!

Trailer:




P.S.: Não julgue o filme pelo trailer porque ficou bem sem-graça mesmo.