Ninguém sabe o que ele pensou

Esses dias eu sonhei que morreria às 04 horas da manhã. Talvez assustada com a ideia de quem ainda viveu pouco, acordei 15 minutos antes de virar defunta. Ali, agora, tinha os últimos minutos de vida e decidi então pôr meus pensamentos sobre coisas aleatórias ao invés de tentar imaginar do que eu morreria logo mais. Infarto fulminante? Vai saber, não importaria. Eu ia morrer de qualquer jeito mesmo.

Me veio à mente então um cara chamado Heiddeger, um filosófo que eu tinha ouvido falar alguns dias atrás e que me chamou atenção por suas ideias um pouco óbvias, porém que fazem o maior sentido. Ele dizia que o ser humano é um ser-no-mundo. Que coisa mais óbvia. Óbvia. Demais. Melhore amigo. Até eu pensaria um troço óbvio desse. Talvez sem tanto lirismo.

Fiquei refletindo sobre o significado do substantivo coletivo do cara e vi que poderia ser bem mais que eu imaginava. Estava desprezando suas ideias, desconsiderando particularidades que ele pode ter tentado atribuir ao seu pensamento, e que assim, pode não ter conseguido se expressar totalmente. Talvez não fosse uma ideia tão simples, talvez fosse mais do que uma interpretação óbvia de que o ser humano constrói um mundo na medida em que realiza suas ações individuais. Vai saber. Quantos devaneios já tive que eram intransmissíveis em suas literalidades...A imaginação talvez seja mesmo a única barreira intransponível, realmente inviolável que a gente tem.

Já era quase a hora da minha morte. Mas fiquei tão intrigada com as interpretações únicas que tentam passar de um pensamento de alguém, que acabei esquecendo que iria morrer daqui a pouco. Olhei meu celular e vi que faltavam apenas mais 3 minutos. “Vou pensar em outra coisa. Que tipo de pessoa está morrendo e começa a lembrar do resumo de filosofia do livro de cursinho que leu dias atrás?”, pensei. Agora faltavam mais 2. “Vou mentalizar a minha família e as pessoas que gosto, é a coisa mais normal a se fazer”. De repente, permiti-me ver o horário no relógio ao lado da cama e vi que ainda faltava 1 hora para eu morrer. Não entendi. Chequei o meu celular, aquele no qual tinha checado o horário inicialmente, e por ele, de fato, já eram quase 4 horas. De repente parei de respirar e morri. Era horário de verão. E eu precisava dormir.

Um comentário:

  1. Gostei muito do seu texto!
    O final então... genial hahaha
    Beijos
    www.somosvisiveiseinfinitos.com.br

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