Sobre pesos de vivência


Tá foda viver. Acordamos esgotados como se carregássemos o fardo pesado de uma existência. Esgotados. Levantamos por algo que acreditamos fazer sentido para nós, quando na verdade esperamos o fim de semana para respirar um pequeno ar de não-obrigação. Mas estamos lá. Acompanhando a massa. Buzinando nas ruas caóticas das cidades antes mesmo das 07 da manhã. Seguimos. Manda mais café. Mais ritalina. Mais artificialidade para criarmos uma falsa resistência. Em busca de sabe-se lá um objetivo de vida ou um simples cumprimento de obrigação. Tá foda viver. Estudamos como loucos para passar em provas que acreditamos piamente serem determinantes para o começo de uma fase que faça sentido. De algo que realmente nos faça nos encontrar no mundo. Mas a gente se esgota. Independentemente da escolha aparentemente certa ou não. A gente se esgota de qualquer jeito. Tá foda viver.

Criamos compulsões, as mais variadas. Compulsão alimentar. Consumista. Compulsão de desperdício de vida. De todos os tipos. Compulsão.  Tá foda viver. A gente se resume por tanta cobrança, por tanta agitação. Por falta de ar fresco. Nos prédios. Sem varandas. Lá ficamos desenvolvendo o peso que é viver numa busca incessante e sem sentido por um vazio de vida. Tá foda viver. A gente se resume tanto em obrigação que nos impressionamos quando temos uma atitude puramente interior. Evitamos expressar sentimentos e inquietudes. Porque é banal. Porque não tem tempo. Porque é melhor deixar para lá. Porque passa. Por quê? Porque. A gente. Não valoriza. A porra. Da humanidade. Mas uma hora a gente explode. De stress. De martírio. Quem dirá, explode de si mesmo. Não de repente. Mas aos poucos a gente vai se fragmentando. Pois é. Tá foda viver.

P.S.: Leia as palavras em negrito na ordem. Queria saber a resposta.

6 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Pourran!

    Que texto intenso. Vamos lá... a única coisa que passou pela minha cabeça o tempo inteiro que li este texto foi o meu antigo emprego. Aquele lugar que te suga, que te puxa pra baixo, sabe? E era foda viver MESMO. Acordar sem querer levantar, viver mecanicamente até o final de semana que, cruzes, nem era pra diversão, era pra fuga! Fuga da realidade, poder me perder dentro de mim mesma. Saí do emprego. Mudei de estado. Tá mais fácil viver? Menos que um por cento, mas tá. Tudo porque foi dado o primeiro passo.

    Respondendo a sua pergunta, o vazio não é exatamente criado por nós. A gente só repete o buraco, multiplica o espaço em branco. Falta proatividade individual, falta cortar os laços com o acordo de pessoa-socialmente-aceitável e sociedade-feliz. Falta arriscar viver sem tantas expectativas do outro.

    Adorei seu texto, sério. Por isso escrevi essa bíblia hahaha

    Beijos!

    A tal da Vivian

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    1. Oi Vivian!

      Muito legal a sua colocação. Concordo também que falta mais atitude da gente mesmo em acabar - quer dizer, ao menos diminuir - essa pressão que é viver. Vejo que parte disso é provocado por influência, e como você disse, "falta arriscar sem perspectivas do outro."

      Que bom que gostou do texto. E adorei seu comment em forma de bíblia! =)
      hahhaa
      bjo

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  3. Que texto mais FODA!
    Respondendo a pergunta: acho que criamos um vazio para se esconder de toda essa loucura.
    Beijos!

    www.imperfeitaas.blogspot.com.br

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  4. Que texto foda!
    Me vi em várias partes dele. E lembrei muito da minha busca e eterno questionamento se as coisas PRECISAM e tem mesmo que ser tão pesadas e difíceis de levar, sabe? Se a vida não deveria ser mais take it easy, com menos correrias e mais tempo pra VIVER de verdade. Enfim... Adorei o post.

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    1. Kah, que bom que gostou do texto. Tão bom ler isso. =)

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