Resenha: Felicidade Clandestina

Autora: Clarice Lispector
Editora: Rocco
Número de páginas: 159

“Mas durmo o sono dos justos por saber que minha vida fútil não atrapalha a marcha do grande tempo. Pelo contrário: parece que é exigido de mim que eu seja extremamente fútil, é exigido de mim inclusive que eu durma como um justo.” (O ovo e a galinha, pág. 58)

Sou bem suspeita para falar de Clarice Lispector porque adoro autores existencialistas. E a Clarice, como vocês devem saber, tem uma capacidade incrível de transformar qualquer ação humana, como observar um ovo em cima de uma mesa, por exemplo, em uma enorme questão: cheia de ramificações, indagações e percepções interiores.


Comecei a ler Felicidade Clandestina no ano passado pois ele cairia na prova do vestibular da UFT. Assumo que, como muitas pessoas, sempre tive certa restrição para com esse tipo de leitura. Muita gente considera banal, fraca ou típica “filosofia de facebook” e eu também assim a considerava, motivada por esse “pré-conceito social”.

Foi então que, dias atrás, estava olhando alguns títulos da biblioteca de onde eu moro e vi dois livros da autora dando sopa em uma estante. Um deles, esse. Comecei a ler sem muita pretensão de terminar, mas acabei que conclui o abandonado livro do ano anterior.

Adoro usar post-its de plástico para marcar as páginas com frases que mais me interessaram.
O que dizer dele? Felicidade Clandestina possui uma leitura bem leve. É constituído por diversos contos, não relacionados logicamente, dos mais variados personagens, eu-líricos e estilos de vida.  Alguns dele parecem ser relatos da própria vida de Clarice, como o “Come, meu filho” que seria um diálogo dela com seu filho.

Grande parte das histórias trazem a epifania do personagem, que seria o momento de transformação em que ele passa ao encontrar-se ou compreender sentido a algo.  Esse aspecto da transcendência do personagem é bem típico de Clarice, como dizia meu professor de literatura do cursinho. Aliás, saudades Josa.

Ao ler o livro talvez você se sinta um pouco: Criança, no conto “Felicidade clandestina”. Adulto, em “O ovo e a galinha”. Talvez um jovem intenso em “Amizade Sincera”. Ou até mesmo uma velhinha abandonada em “O grande passeio”. Aliás, considerei esse último o melhor de todos!

E vocês, já leram este ou algum livro da autora? O que acharam?

2 comentários:

  1. mariana, muito legal a resenha!!
    desconhecia o livro, achei que fosse uma historia e nao uma coletanea de histórias.
    me interessei. quero ler

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  2. Eu tenho muito desses momentos epifanias quando consigo entender o sentido de alguma coisa. Lendo a sua resenha eu sinto que ia gostar dos livros da Clarice. Não sabia que era considerada filosofia de facebook, sempre tive Clarice num pilar bem grande, como se a literatura dela fosse algo que só gente cabeça pudesse ler. Acho que foi por isso que até hoje não li nenhum livro dela, porque vira e mexe eu pegava algum na biblioteca, e devolvia sem nem mesmo folear. Escrevendo aqui agora, percebo que isso era besteira minha kkkkkk

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