O que eu já aprendi morando seis meses longe de casa


Hoje faz exatamente meio ano que sai de onde morava, Palmas-TO, para estudar em terras curitibanas. Uma reviravolta tremenda e inesperada que nunca imaginaria que iria acontecer. Durante esse tempo, conheci pessoas, lugares e levei vários choques de realidades, do tipo:

1. Nem tudo são flores e lugares não são perfeitos
Não conhecia Curitiba e minha visão sobre a cidade era bem romantizada. Cheguei e vi que a "Cidade Modelo" tem sim muitos problemas típicos de grandes cidades. As diferenças que notei em relação ao que eu conhecia são várias, mas posso destacar estas: aqui há muitos moradores de ruas, e, sério, não é exagero. Em todos os lugares e em todos os horários, pessoas aglomeradas em situações subumanas. Aqui em Curitiba, pelo que sei, existem algumas instituições que realizam trabalhos, mas de fato, não é suficiente para a demanda.

Outro ponto que estranhei é que há gente em todos os lugares, muita gente! É agonizante! Experimente ir na 15 de novembro - rua de compras conhecida aqui - em um sábado à tarde. Eu, que morava em uma CAPITAL de aproximadamente 300 mil habitantes, me senti do interior quando cheguei aqui. Já conhecia cidades muito grandes como o Rio, mas morar é completamente diferente. O ritmo de vida não é o mesmo, além de que o trânsito é muito louco. Embora eu vá caminhando até a faculdade, atravesso aproximadamente seis faixas de pedestres por dia, quando não mais. Enfim, sair da minha cidade me deixou com um certo sentimento de não ter aproveitado o bastante alguns aspectos dela.

Rua das flores
Me sinto em Crepúsculo com essas árvores gigantes 
2. Leve a japona
O fator clima talvez seja o ponto principal da diferença norte-sul. Aqui, ando de casaco aos 20 graus, enquanto do meu lado um curitibano está a reclamar de calor com um óculos de sol retirando um bloqueador solar da mochila e pensando em comprar um chapéu do boliviano ali na calçada. Mas de fato, aqui o clima é sim uma tripolaridade: Ter uma instância de chuva, frio e sol (apesar de que o sol daqui para mim seja quase insignificante, na boa) em um único dia em Curitiba é algo normal. 

2. Comida boa não brota
Esse é o choque principal! Não sei cozinhar absolutamente NADA e há alguns tempos atrás isso não faria diferença na minha vida. Mas hoje a situação é diferente, e quando a fome aperta e você simplesmente quer COMIDA e não fast food, não há muito o que fazer. No início, sobrevivia de pão, iogurte, café solúvel em água e almoço de restaurante. Mas, como moro em república, sempre tem uma galera legal que ajuda você. É triste e engraçado, porque muitas pessoas estão na mesma situação que você!

Jardim Botânico de um ângulo pouco conhecido

3. A dúvida sempre permeia a existência
Quem me conhece, sabe que a dúvida  do que escolher para a vida me rodeia desde que me entendo por gente. Escolhi Direito por vários motivos, mas principalmente por uma afinidade de matérias e pela possibilidade de trabalhar em algo que faça a diferença na vida das pessoas de forma EFETIVA, como por exemplo, direito para políticas públicos. Entrei em um grupo de estudos avançados de Direito Internacional, e talvez isso me direcione de alguma forma. Enfim, cheguei à conclusão de que nenhum curso foi feito para você. O que você escolhe é um estilo de vida, e talvez uma causa para a qual você quer destinar boa parte do seu tempo de vida. Ninguém pode ter absoluta certeza do que quer antes de começar.

4. Lidar com a saudade
Eu adoro ficar sozinha, então este não foi um ponto tão sofrido na adaptação. Brincadeira, foi sim. No início, então? Odiei a universidade, as pessoas e a cidade principalmente pelo choque cultural e as incertezas decorrentes, e isso fez com que eu sentisse ainda mais saudades de casa e da família. Porém, depois que passei a fazer tudo por mim, adquiri certa autonomia, o que me fez driblar esse choque inicial.

5. A adaptação é contínua
Apesar de tudo, ir embora é um processo contínuo. Pode se tornar estável a um certo ponto em que se está familiarizado com o ambiente e toda a rotina, mas faz parte do processo ter sempre surpresas e responsabilidades que não aconteceriam se você não tivesse saído da sua terra natal. Apesar de tudo, dos problemas, da falta de grana e tudo mais, estou considerando esta uma fase importantíssima para mim, de grande aprendizados e descobertas!

Curitibanices:
 
1. A cada 10 palavras que um curitibano fala, 8 são "piá" e 2 são "tesão".
2. As pessoas aqui fumam muito. Tipo, muito. Melhorem, migos.
3. Também bebem muito. E não conhecem o famoso cozumel, mal sabem o que estão perdendo!
4. Também não conhecem a querida paçoca de carne seca.
5. Se você sair de dia e estiver aquele lindo sol e aquele friozinho maravilhoso (tipo, uns 16 graus), não se engane: já já chove... ou neva.


7 comentários:

  1. Ah, super me identifiquei. Só que no meu caso, a mudança foi RJ x Salvador. Senti as mesmas coisas que você, embora cozinhar pra mim não seja exatamente um problema (não que eu seja nenhuma chef rsrs). Enfim, ser a garota nova em algum lugar é sempre esquisito. Eu também detestei tudo e também estou no meu sexto mês aqui. Mas agora as coisas começam a fazer mais sentido, eu acho. Tomara.

    Beijos!

    ataldavivian.blogspot.com.br/

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    1. Oi Vivian! Rio de Janeiro e Salvador? Gente, uma mudança e tanto também ein! Realmente, ser novo em um lugar muito diferente, como o nosso caso, é um desafio diário. E finalmente, as coisas começam a fazer mais sentido por aqui também. Pelo menos, me sinto mais em casa agora.

      Boa sorte para nós!

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  2. Oioioi!

    No começo do ano eu resolvi morar sozinho depois da minha mudança pra POA não rolar. Digo que é a experiência foi muito boa, inclusive voltei a morar com os meus pais. Haha!

    A liberdade que a gente tem fora da casa dos pais é ótima, mas a responsabilidade... é muita conta, despesa.

    Espero que tudo esteja bem aí e, calma! Aos poucos tudo vai se ajeitando. Sucesso!!!

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    1. Sim, sem dúvidas! Muitas responsabilidades decorrerão, mas mesmo assim, como consequência, ter mais liberdade é maravilhoso.
      E obrigada Adriel, sucesso pra ti também!

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  3. Eu não conheço Curitiba (embora tenha muita vontade de visitar) mas tenho uma simpatia gratuita pela cidade. Mas, uma coisa é ser turista outra é morar, né? Quando a gente mora a gente passa a ver as coisas de outra forma - é como quando as pessoas falam que amam São Paulo (geralmente essas pessoas moram em cidades pequenas) e eu já logo aviso que não é bem assim não, hahahaha.

    Adorei o post, e isso de mudar de cidade certamente *ainda mais pra morar longe dos pais) trás muito amadurecimento.

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    1. Eu também tinha uma simpatia muito grande pela cidade antes de vir morar, e talvez foi o fator mais significativa que me fez mudar pra cá! haha

      Concordo contigo em relação a diferença dos olhares entre turista x morador. Para mim, o turista tem um olhar bem mais romântico para a cidade, enxerga mais os lados positivos do lugar, tipo: "que lindo, aquilo não tem onde eu moro. QUERO" (pelo menos eu sou assim haha) E vejo isso muito em relação à Curitiba, pelo fato de ser uma cidade muito bem e estrategicamente divulgada com mais pontos positivos do que o normal para uma capital brasileira. Não que seja tudo mentira, mas como todo lugar, tem sim os seus (muitos) problemas!

      Enfim, obrigada por comentar e fico feliz que tenha gostado do post!

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  4. Guriaaaaaaaaaaa!!! ( o guria foi pra você lembrar de Curitiba hahaha)

    Estou há 4 anos aqui e esta semana deixo Curitiba e volto pra Minas Gerais minha terrinha! Ufa que alívio...
    Bem eu gostei da infra estrutura da cidade e também foi um período que eu sou muito grata. Trabalhei muito aprendi coisas para minha profissão que levarei pro resto da minha vida. Lidei com pessoas dificeis, muito dificeis, e fiz amizades queridas que espero que elas vão em Minas me visitar.
    O que eu achei pessímo aqui foi o clima (nojento de chover 15 dias seguidos e ficar sem sol)e as pessoas com seu "jeitinho europeu"hahahahahah!

    Me identifiquei muito com seu post. Vou ler o teu blog todo pra saber o que você esta fazendo da sua vida agora.

    beijosss

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