A caminho da escola passo por uma rua misteriosa. Talvez nem haja "vida" nela, nem sequer moradores. As folhas das árvores caem e voam para um destino indefinido, que só o tempo vai saber. Parece até outono, embora estejamos no inverno.

Um medo e ao mesmo tempo um afeto daquela rua. Ora, mas por que um afeto? Porque aquela rua já era como se fosse uma parte de mim, convivia com ela todos os dias. Meus pés pisoteavam o asfalto solitário e frio e essa sincronia diária certamente mantinha a minha conexão com aquele lugar.

Na rua havia uma casa, somente uma. E não pense que vou começar a contar história de terror, do tipo: "era uma casa feia e mal-assombrada". Pelo contrário. A casa era linda, pintada de uma cor meio salmão com amarelo, desconheço outras semelhantes. 

Nunca soube quem morou ou mora ali. Nunca vi ninguém lá, nem um simples barulho e muito menos coisas assombrosas. Ouvi um boato de que ali mataram uma criança de apenas 5 anos de idade. O motivo? Ninguém sabe, ninguém soube. Talvez porque isso tudo fosse mentira. Mas o fato é que muitos nunca passaram naquela rua por puro medo, por que acreditavam nessas assombrosas histórias. Mas como alguém pode ter medo de algo que nunca viu? É, este é o "famoso medo de ter medo".

O misterioso cotidiano

by on 20:53
A caminho da escola passo por uma rua misteriosa. Talvez nem haja "vida" nela, nem sequer moradores. As folhas das árvores caem ...